Geriatria
Revisão: Novos e emergentes tratamentos para o transtorno depressivo maior
19 Dez, 2024 | 19:19hIntrodução: Este resumo apresenta uma revisão sobre novas e emergentes opções terapêuticas para o transtorno depressivo maior (TDM), uma condição de alta prevalência e impacto socioeconômico significativo. Embora os antidepressivos que atuam nos sistemas monoaminérgicos sejam amplamente utilizados, muitos pacientes não respondem adequadamente, resultando em depressão resistente ao tratamento. Dessa forma, novas abordagens têm sido investigadas, incluindo psicodélicos (psilocibina, cetamina/esquetamina), agentes anti-inflamatórios, moduladores opioides, neuropeptídeos, onabotulinumtoxina A, bem como terapias de neuromodulação (variações da estimulação magnética transcraniana, terapias baseadas em luz). A revisão considera eficácia, tolerabilidade, limitações metodológicas e aplicabilidade clínica dessas intervenções inovadoras.
Principais Recomendações:
- Cetamina e esquetamina: Considerar essas substâncias como tratamento adjuvante para depressão resistente, devido ao início rápido de ação antidepressiva e efeito anti-suicida. Monitorar pressão arterial e risco de habituação. A relação custo-efetividade e a eficácia prolongada permanecem incertas.
- Psicodélicos (psilocibina, ayahuasca): A psilocibina, quando administrada com suporte psicoterapêutico, pode proporcionar redução rápida dos sintomas, mas há preocupações quanto à escalabilidade, necessidade de tempo intensivo de terapeutas e possível aumento de ideação suicida. A ayahuasca apresenta resultados promissores, porém faltam dados robustos de longo prazo e protocolos padronizados.
- Neuromodulação (rTMS, theta burst, TMS acelerada, terapias de luz): A estimulação magnética transcraniana repetitiva (rTMS) e suas modalidades aceleradas ou de curta duração (theta burst) demonstram eficácia modesta com boa tolerabilidade. A terapia com luz pode potencializar a neuromodulação. Não há consenso sobre protocolos ideais nem posicionamento claro dessas intervenções na linha de tratamento.
- Agentes anti-inflamatórios e outros fármacos adjuvantes: Evidências preliminares sugerem que minociclina, anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), estatinas, ácidos graxos ômega-3 e a combinação buprenorfina-samidorfano podem ter papel auxiliar. Contudo, faltam ensaios robustos que confirmem eficácia e segurança a longo prazo.
- Onabotulinumtoxina A: Uma única injeção na região glabelar pode melhorar sintomas depressivos, mas o mecanismo e a durabilidade do efeito são incertos. Desafios metodológicos dificultam recomendações definitivas.
- Estimulação cerebral profunda (DBS) e terapia convulsiva magnética (MST): Procedimentos invasivos e com evidências limitadas, indicados apenas em casos extremamente refratários. Seu uso permanece experimental.
Conclusão: Os tratamentos emergentes para o TDM oferecem novas perspectivas além dos antidepressivos convencionais, potencialmente abordando a heterogeneidade da doença. No entanto, a maioria das intervenções ainda é considerada experimental, carecendo de comparações diretas com terapias estabelecidas, maior definição de protocolos e dados de longo prazo. Mais pesquisas rigorosas são necessárias para esclarecer o papel dessas estratégias na prática clínica e otimizar o cuidado ao paciente com depressão resistente.
Revisão: Manejo Não Cirúrgico da Insuficiência Venosa Crônica
19 Dez, 2024 | 13:47hIntrodução: Este é um resumo de uma revisão sobre o manejo não cirúrgico da insuficiência venosa crônica, uma condição comum caracterizada por hipertensão venosa persistente, levando a sintomas como edema, varizes, alterações cutâneas e úlceras venosas. O foco principal é abordar fatores estruturais e funcionais que contribuem para a doença, considerando intervenções clínicas e comportamentais que podem melhorar a qualidade de vida e reduzir a progressão dos sintomas.
Principais Recomendações:
- Abordagem Multifatorial: Avaliar e manejar tanto causas estruturais (por exemplo, refluxo venoso segmentar) quanto funcionais (obesidade, fraqueza muscular, hipertensão venosa central).
- Terapia Compressiva: Recomendar o uso de meias de compressão graduada ou bandagens, ajustando o nível de compressão (geralmente entre 20-30 mm Hg ou maior) conforme tolerância e necessidade, visando reduzir edema e melhorar sintomas.
- Redução da Pressão Venosa Central: Incentivar a perda de peso em pacientes obesos, avaliar e manejar fatores como apneia obstrutiva do sono e disfunção diastólica cardíaca, evitando o uso excessivo de diuréticos.
- Exercícios e Elevação de Pernas: Orientar exercícios específicos para fortalecimento da musculatura da panturrilha e do pé, bem como a elevação frequente das pernas, a fim de melhorar o retorno venoso.
- Avaliação de Medicamentos Indutores de Edema: Realizar reconciliação medicamentosa, considerando que fármacos como bloqueadores de canal de cálcio e gabapentinoides podem contribuir para o edema.
- Intervenções Estruturais Seletivas: Em casos com refluxo venoso significativo associado a sintomas, considerar procedimentos endovenosos ou cirúrgicos como ablações, escleroterapia ou flebectomia, especialmente em presença de úlceras venosas não cicatrizantes.
Conclusão: O manejo não cirúrgico da insuficiência venosa crônica envolve intervenções clínicas, comportamentais e compressivas, buscando reduzir a hipertensão venosa e melhorar o retorno venoso. Abordar tanto aspectos estruturais quanto funcionais é essencial para otimizar sintomas, promover cicatrização de úlceras e melhorar a qualidade de vida do paciente.
Estudo Randomizado: Estratégia Liberal versus Restritiva de Transfusão em Hemorragia Subaracnoide
16 Dez, 2024 | 08:24hBackground: A hemorragia subaracnoide (HSA) aneurismática é uma condição neurológica grave, frequentemente associada a alta mortalidade, déficit neurológico e impacto na qualidade de vida. A anemia é comum nesses pacientes e pode piorar a oxigenação cerebral, contribuindo para desfechos desfavoráveis. Entretanto, não estava claro se uma estratégia transfusional mais liberal, em comparação a uma mais restritiva, poderia melhorar os resultados funcionais a longo prazo.
Objetivo: Avaliar se uma estratégia liberal de transfusão de concentrados de hemácias (limite de hemoglobina ≤10 g/dL) melhora o desfecho neurológico funcional em 12 meses, em comparação a uma estratégia restritiva (limite de hemoglobina ≤8 g/dL), em pacientes com HSA aneurismática e anemia.
Métodos: Trata-se de um ensaio clínico randomizado, aberto e pragmático, conduzido em 23 centros especializados. Pacientes adultos críticos com primeira HSA aneurismática, internados até 10 dias após a admissão, foram designados aleatoriamente para uma estratégia transfusional liberal ou restritiva. O desfecho primário foi a ocorrência de resultado neurológico desfavorável aos 12 meses, definido como escore ≥4 na escala modificada de Rankin (0-6, escores mais altos indicam maior incapacidade). Desfechos secundários incluíram medidas funcionais (FIM), qualidade de vida (EQ-5D-5L) e VAS, bem como complicações neurológicas, incluindo vasoespasmo e isquemia cerebral tardia. A avaliação de resultados foi mascarada quanto à alocação do paciente.
Resultados: Participaram 742 pacientes. Aos 12 meses, desfecho neurológico desfavorável ocorreu em 33,5% do grupo liberal e 37,7% do grupo restritivo (RR: 0,88; IC95%: 0,72–1,09; p=0,22). Não houve diferenças clinicamente significativas na pontuação do FIM, no EQ-5D-5L ou na VAS entre os grupos. A mortalidade em 12 meses foi semelhante em ambos os grupos (cerca de 27%). O vasoespasmo radiográfico ocorreu menos frequentemente no grupo liberal, porém sem tradução clara em melhoria funcional. A incidência de efeitos adversos relacionados à transfusão foi semelhante entre as estratégias.
Conclusões: Em pacientes com HSA aneurismática e anemia, a adoção de uma estratégia transfusional liberal em comparação à restritiva não resultou em redução significativa do risco de desfecho neurológico desfavorável em 12 meses.
Implicações para a Prática: Os achados indicam que manter limiares mais elevados de hemoglobina não traz benefício funcional substancial a longo prazo em HSA. Uma abordagem transfusional mais conservadora, conforme o limiar mais baixo (≤8 g/dL), pode ser considerada na ausência de outras indicações, reduzindo exposição a hemocomponentes sem evidência clara de prejuízo.
Forças e Limitações do Estudo: Pontos fortes incluem desenho randomizado multicêntrico, avaliação centralizada e mascarada dos desfechos e acompanhamento de 12 meses. Como limitação, não se pode excluir a possibilidade de efeitos benéficos mais sutis não detectados, bem como o fato de as equipes assistenciais conhecerem as estratégias. Além disso, o limiar liberal empregado e as ferramentas de avaliação do desfecho podem não capturar plenamente potenciais melhorias funcionais de menor magnitude.
Pesquisas Futuras: Investigações futuras podem avaliar estratégias transfusionais personalizadas, explorar limiares intermediários e utilizar instrumentos mais sensíveis ao desempenho funcional e à qualidade de vida em longo prazo, bem como incorporar biomarcadores de isquemia cerebral mais precocemente.
Estudo de coorte retrospectivo: Uso de medicamentos para pressão arterial sob demanda e risco aumentado de lesão renal aguda e outros desfechos adversos em pacientes internados em hospitais do VA
8 Dez, 2024 | 18:36hContexto: Pressões arteriais elevadas e assintomáticas são frequentes no ambiente hospitalar e muitas vezes tratadas com medicamentos para pressão arterial sob demanda (tanto de uso recorrente quanto em dose única). Há preocupação de que essa prática possa levar a reduções rápidas e potencialmente perigosas da pressão arterial, particularmente em pacientes mais idosos ou com doenças cardiovasculares, resultando em eventos isquêmicos, como lesão renal aguda (LRA).
Objetivo: Avaliar se o uso de medicações anti-hipertensivas “sob demanda” para tratar elevações assintomáticas da pressão arterial em pacientes internados em hospitais do Sistema de Saúde dos Veteranos (VA) está associado a um risco aumentado de LRA e outros eventos adversos.
Métodos: Estudo de coorte retrospectivo conduzido por emulação de um ensaio clínico alvo, com escore de propensão para pareamento. Foram incluídos veteranos adultos hospitalizados por 3 ou mais dias em enfermarias não-intensivas do VA entre 1º de outubro de 2015 e 30 de setembro de 2020, sem cirurgia durante a internação, que já usavam ao menos um anti-hipertensivo regular nas primeiras 24 horas e apresentaram pelo menos uma pressão arterial sistólica >140 mmHg. Foram comparados pacientes que receberam medicações anti-hipertensivas sob demanda com aqueles que não receberam, analisando LRA, redução rápida da pressão arterial e um desfecho composto (infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral ou óbito).
Resultados: Foram analisados 133.760 veteranos (média de idade de 71,2 anos; 96% homens). Entre eles, 21% receberam medicação sob demanda. O uso sob demanda foi associado a um risco 23% maior de LRA (HR=1,23; IC95% 1,18-1,29). O risco foi mais pronunciado com medicação intravenosa (HR=1,64) do que oral (HR=1,17). Além disso, houve aumento de eventos adversos, incluindo queda rápida da pressão arterial (aumento de 50% no risco em 3 horas) e maior taxa do desfecho composto (RR=1,69).
Conclusões: O uso de medicações anti-hipertensivas sob demanda em pacientes hospitalizados sem indicação clara de redução aguda da pressão arterial foi associado a aumento de LRA, quedas rápidas da pressão arterial e maior risco de infarto, AVC e morte. Esses achados sugerem necessidade de estudos prospectivos para avaliar o real balanço entre riscos e benefícios desta prática.
Implicações para a Prática: Os resultados levantam questionamentos sobre o uso rotineiro de medicações anti-hipertensivas sob demanda para tratar elevações pressóricas assintomáticas. Dado o potencial de dano, os clínicos devem avaliar cautelosamente a indicação dessa abordagem e considerar medidas não-farmacológicas ou observação antes de optar por intervenções farmacológicas.
Forças e Limitações do Estudo: Pontos fortes incluem o grande tamanho amostral, representatividade nacional e ajuste rigoroso para minimizar confundimento. Limitações incluem a natureza retrospectiva e possibilidade de fatores não mensurados. Embora o estudo não possa estabelecer causalidade, os resultados são robustos e sustentados por análises de sensibilidade.
Pesquisas Futuras: Ensaios clínicos prospectivos são necessários para determinar se a eliminação ou moderação do uso de medicamentos sob demanda para hipertensão assintomática reduz eventos isquêmicos. Pesquisas adicionais podem explorar subgrupos, incluindo cirúrgicos e populações não-veteranas.
Estudo Clínico Randomizado Controlado: Intervenção Percutânea com Implante Transcateter de Válvula Aórtica (TAVI) guiada por Reserva de Fluxo Fracionada (FFR) versus Tratamento Cirúrgico Convencional (SAVR + CABG) em Estenose Aórtica Grave e Doença Coronariana Complexa
8 Dez, 2024 | 18:25hContexto: A estenose aórtica grave frequentemente coexiste com doença arterial coronariana obstrutiva complexa ou multivascular. A estratégia padrão recomendada pelas diretrizes consiste na substituição valvar aórtica cirúrgica (SAVR) combinada ao bypass coronariano (CABG). Entretanto, o implante transcateter de válvula aórtica (TAVI), associado ao uso de intervenção coronariana percutânea (ICP) guiada por reserva de fluxo fracionada (FFR), surge como uma alternativa menos invasiva e potencialmente segura. Este estudo teve como base a hipótese de que o tratamento percutâneo (TAVI + ICP guiada por FFR) não seria inferior ao tratamento cirúrgico convencional (SAVR + CABG) em pacientes com estenose aórtica grave e doença coronariana complexa.
Objetivo: Avaliar a não-inferioridade e, se demonstrada, a superioridade do TAVI + ICP guiada por FFR em comparação ao SAVR + CABG quanto a desfechos clínicos compostos em um ano, em pacientes com estenose aórtica grave e doença coronariana complexa.
Métodos: Este foi um ensaio clínico internacional, multicêntrico, prospectivo, aberto, randomizado (1:1), conduzido em 18 centros terciários na Europa. Participaram pacientes com ≥70 anos e estenose aórtica grave acompanhada de doença coronariana complexa passíveis de tratamento tanto percutâneo quanto cirúrgico, conforme avaliação do Heart Team. Os pacientes foram alocados para TAVI com válvulas autoexpansíveis (Evolut R ou Evolut PRO), associada à ICP guiada por FFR, ou para tratamento cirúrgico convencional SAVR + CABG. O desfecho primário foi um composto de mortalidade por todas as causas, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral incapacitante, revascularização guiada por sintomas, reintervenção valvar e sangramento com risco à vida ou incapacitante após 1 ano. A análise principal seguiu o princípio de intenção de tratar.
Resultados: Foram incluídos 172 pacientes entre 2018 e 2023 (91 no grupo ICP-FFR+TAVI e 81 no grupo SAVR+CABG). O ponto final primário ocorreu em 4% dos pacientes no grupo ICP-FFR+TAVI versus 23% no grupo SAVR+CABG (diferença do risco: –18,5%; IC90%: –27,8 a –9,7%; p<0,001 para não-inferioridade; p<0,001 para superioridade). A mortalidade por todas as causas foi 0% no grupo percutâneo contra 10% no grupo cirúrgico (p=0,0025). Houve também redução significativa de sangramentos com risco à vida no grupo ICP-FFR+TAVI. Esses achados foram sustentados pelas análises por protocolo e as-treated.
Conclusões: Em pacientes com estenose aórtica grave e doença coronariana complexa, a estratégia percutânea (ICP guiada por FFR + TAVI) mostrou-se não inferior e, na verdade, superior ao tratamento cirúrgico padrão (SAVR + CABG) no prazo de um ano, principalmente devido à redução da mortalidade e de sangramentos graves.
Implicações para a Prática: Os resultados deste estudo sugerem que, para pacientes cuidadosamente selecionados, a abordagem percutânea pode ser considerada uma alternativa viável e possivelmente preferível ao tratamento cirúrgico tradicional, especialmente frente ao menor risco de mortalidade e sangramentos graves. No entanto, diante desta ser a primeira evidência do tipo, a prudência é recomendada antes da adoção rotineira desta estratégia.
Pontos Fortes e Limitações do Estudo: Pontos fortes incluem o delineamento randomizado, multicêntrico e prospectivo, além da avaliação padronizada de desfechos. Contudo, o estudo foi interrompido precocemente, resultando em um tamanho amostral menor do que o inicialmente previsto, o que demanda cautela na extrapolação dos dados. Além disso, um único tipo de prótese TAVI foi utilizado, o que limita a generalização. A utilização do FFR no contexto da estenose aórtica requer interpretação cuidadosa.
Pesquisas Futuras: Estudos maiores, com maior tempo de seguimento e envolvendo diferentes próteses e abordagens de imagem, são necessários para confirmar e estender estes achados, bem como melhor definir quais subgrupos de pacientes se beneficiariam mais dessa estratégia percutânea.
CDC Recomenda Vacinação Pneumocócica a Partir dos 50 Anos
6 Nov, 2024 | 09:53hIntrodução: A doença pneumocócica é uma infecção grave causada pela bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por condições como pneumonia, meningite e bacteremia. Tradicionalmente, a vacinação contra o pneumococo era recomendada para adultos a partir dos 65 anos. No entanto, novos dados indicam um aumento significativo no risco de infecção em indivíduos a partir dos 50 anos.
Destaques: O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) anunciou a redução da idade recomendada para a vacinação pneumocócica de 65 para 50 anos. Essa mudança visa ampliar a proteção contra doenças pneumocócicas em uma faixa etária mais jovem, onde o risco de infecção começa a aumentar substancialmente. A vacinação antecipada oferece a oportunidade de prevenir casos graves de pneumonia, meningite e infecções sanguíneas, especialmente em preparação para a temporada de infecções respiratórias no inverno. O CDC recomenda que adultos com 50 anos ou mais conversem com seus profissionais de saúde para atualizar seu status vacinal.
Conclusão: A atualização das diretrizes de vacinação pode resultar em uma diminuição significativa na incidência de doenças pneumocócicas entre adultos a partir dos 50 anos. Profissionais de saúde devem incentivar a vacinação nessa faixa etária, reforçando a importância da imunização na prevenção de infecções graves e na melhoria dos resultados em saúde pública.
Fontes:
- Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC): https://www.cdc.gov/media/
- Informações sobre Doença Pneumocócica: https://www.cdc.gov/pneumococcal/
Estudo de coorte: Associação do Índice de Redondeza Corporal com Mortalidade por Todas as Causas
6 Nov, 2024 | 09:34hIntrodução: A obesidade, especialmente a obesidade visceral, é um fator de risco bem estabelecido associado à mortalidade por todas as causas. As medidas antropométricas convencionais, como o índice de massa corporal (IMC), são inadequadas para avaliar a distribuição de gordura corporal. O Índice de Redondeza Corporal (IRC) surge como um indicador mais abrangente para avaliar a gordura visceral e sua associação potencial com o risco de mortalidade.
Objetivo: Avaliar as tendências temporais do IRC entre adultos americanos não institucionalizados e explorar sua associação com a mortalidade por todas as causas.
Métodos: Estudo de coorte utilizando dados de 32.995 adultos (idade ≥20 anos) do National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES) de 1999 a 2018. O IRC foi calculado e suas mudanças percentuais bienais foram avaliadas. A mortalidade por todas as causas foi acompanhada até 31 de dezembro de 2019.
Resultados: A idade média dos participantes foi de 46,74 anos, com 50,10% de mulheres. O IRC médio aumentou de 4,80 para 5,62 entre 1999 e 2018, com uma mudança bienal de 0,95% (P < 0,001). Esse aumento foi mais pronunciado em mulheres, idosos e indivíduos identificados como mexicano-americanos. Durante um seguimento mediano de 9,98 anos, ocorreram 3.452 óbitos (10,46% dos participantes). Observou-se uma associação em forma de U entre o IRC e a mortalidade por todas as causas. Comparado ao quintil médio de IRC (4,5 a 5,5), o risco de mortalidade aumentou em 25% (HR=1,25; IC 95%, 1,05-1,47) para indivíduos com IRC < 3,4 e em 49% (HR=1,49; IC 95%, 1,31-1,70) para aqueles com IRC ≥ 6,9, após ajustes completos.
Conclusões: O estudo revelou um aumento progressivo do IRC em adultos americanos ao longo de quase duas décadas e uma associação em forma de U entre o IRC e a mortalidade por todas as causas. O IRC demonstra potencial como uma medida antropométrica associada ao risco de mortalidade.
Implicações para a Prática: Os achados sugerem que o IRC pode ser utilizado como uma ferramenta de triagem não invasiva para estimar o risco de mortalidade em adultos, auxiliando na identificação precoce de indivíduos em risco e orientando intervenções clínicas direcionadas.
Pontos Fortes e Limitações do Estudo: Pontos fortes incluem o uso de uma amostra nacionalmente representativa e um longo período de seguimento. Limitações envolvem a possibilidade de viés devido à diminuição das taxas de resposta do NHANES ao longo dos anos e a não avaliação da mortalidade por causas específicas devido ao tamanho da amostra.
Pesquisa Futura: Estudos futuros devem validar esses achados em outras populações e investigar a associação do IRC com mortalidade específica por doenças, além de explorar mecanismos biológicos subjacentes.
Análise post hoc | Aspirina em baixa dose está associada a maior risco de anemia em idosos
29 Jun, 2023 | 11:13hResumo: Em uma análise post hoc do ensaio clínico randomizado ASPREE, foi investigado o impacto da aspirina de baixa dose diária sobre a anemia, a hemoglobina e concentrações séricas de ferritina em indivíduos idosos. O estudo incluiu 19.114 indivíduos da comunidade com 70 anos ou mais (ou ≥ 65 anos para indivíduos negros e hispânicos) da Austrália e dos Estados Unidos.
Os resultados revelaram um aumento na incidência de anemia no grupo da aspirina em comparação com o grupo placebo (51,2 eventos vs. 42,9 eventos por 1.000 pessoas-ano, respectivamente). Isso se correlaciona com um aumento de 20% no risco (razão de risco, 1,20 [IC 95%, 1,12 a 1,29]). As concentrações de hemoglobina mostraram um declínio mais acentuado no grupo da aspirina em 0,6 g/L a cada 5 anos. Além disso, entre os participantes com medidas de ferritina, o grupo da aspirina exibiu uma prevalência maior de níveis de ferritina inferiores a 45 µg/L no 3º ano e declínio geral da ferritina em 11,5%. O estudo encontrou resultados semelhantes mesmo na ausência de sangramento importante.
Essa pesquisa destaca o risco de anemia e declínio da ferritina em idosos saudáveis que tomam aspirina de baixa dose, destacando a necessidade de monitoramento periódico dos níveis de hemoglobina. No entanto, o estudo não dispunha de dados sobre as causas da anemia, indicando a necessidade de mais pesquisas.
Artigo: Effect of Low-Dose Aspirin Versus Placebo on Incidence of Anemia in the Elderly: A Secondary Analysis of the Aspirin in Reducing Events in the Elderly Trial – Annals of Internal Medicine (link para o resumo – $ para o texto completo)
Comunicado de imprensa: Low-dose aspirin may increase anaemia risk in healthy older adults: study – Monash University
Comentários:
Aspirin Use Ups Risk of Anemia in Elderly Patients: ASPREE – TCTMD
Low-dose aspirin associated with 20% increase in risk of anemia among older adults – ACP Internist
Estudo original: Effect of Aspirin on All-Cause Mortality in the Healthy Elderly – New England Journal of Medicine
SR | Intervenções ambientais podem reduzir quedas em idosos de alto risco
14 Mar, 2023 | 13:00hResumo: Quedas e lesões relacionadas a quedas são comuns entre os idosos e podem ter consequências graves, como limitação de atividades ou institucionalização. A revisão Cochrane teve como objetivo avaliar os efeitos das intervenções ambientais, modificações em casa e educação para prevenir quedas em idosos que vivem na comunidade.
A revisão incluiu 22 ensaios clínicos randomizados de 10 países envolvendo 8.463 idosos que residem na comunidade. O estudo observou que, em pessoas com maior risco de queda, as intervenções para reduzir riscos em casa, como avaliar os riscos potenciais de quedas e implementar adaptações de segurança ou estratégias comportamentais, podem reduzir a taxa de quedas em 26% e o número de pessoas que experimentam uma ou mais quedas em 11%.
Por outro lado, o estudo não observou uma redução na taxa de quedas quando as intervenções não foram direcionadas para indivíduos com maior risco. Além disso, o estudo encontrou poucas evidências de que essas intervenções possam ter impacto na qualidade de vida relacionada à saúde, no risco de fraturas relacionadas a quedas, em hospitalizações decorrentes de quedas ou na taxa de quedas que requerem atenção médica.
Resumo: Reducing fall hazards within the environment – Cochrane Library (link para o Google Tradutor)
Editorial: Preventing falls in older people: the evidence for environmental interventions and why history matters – Cochrane Library (link para o Google Tradutor)
Comentário: Preventing falls in older people: new evidence on what helps – Evidently Cochrane (link para o Google Tradutor)
ECR | Associação de antipsicótico mostrou-se mais eficaz do que troca de antidepressivo no tratamento da depressão geriátrica resistente ao tratamento
6 Mar, 2023 | 13:21hResumo:
Este ensaio clínico randomizado aberto comparou os benefícios e os riscos de se associar um antipsicótico versus trocar o antidepressivo em idosos com depressão resistente ao tratamento.
No primeiro passo, 619 pacientes foram randomizados para aumento da medicação antidepressiva existente com aripiprazol (antipsicótico), aumento com bupropiona ou troca para bupropiona. No segundo passo, 248 pacientes que não se beneficiaram ou não eram elegíveis para o primeiro passo foram randomizados para aumento com lítio ou troca para nortriptilina.
O grupo de aumento com aripiprazol mostrou melhora significativa no bem-estar em comparação ao grupo que trocou para bupropiona. Remissão ocorreu em 28,9% dos pacientes do grupo de aumento com aripiprazol, 28,2% no grupo de aumento com bupropiona e 19,3% no grupo que trocou para bupropiona. No segundo passo, taxas semelhantes de remissão ocorreram no grupo de aumento com lítio (18,9%) e no grupo que trocou para nortriptilina (21,5%).
Artigo: Antidepressant Augmentation versus Switch in Treatment-Resistant Geriatric Depression – New England Journal of Medicine (link para o resumo – $ para o texto completo)
Comunicado de imprensa: Adding antipsychotic med to antidepressant may help older adults with treatment-resistant depression – Washington University School of Medicine in St. Louis (link para o Google Tradutor)


